Eu leio:

•Novembro 14, 2009 • 2 Comentários

RabiscoPop!

PaperDivas

Minhas PaperDivas!

Essa foto, da minha coleção completa das PaperDivas, é pra prestigiar o trabalho do @vicmatos, designer que eu admiro muito, não só pelo talento mas pela determinação, força de vontade, enfim, o conjunto da obra. Um dos unespianos que tenho certeza que vai ter um futuro brilhante! Kallil pra você, Vic! E continue fazendo mais divas porque eu quero ter todas!

 

Under the brigde

•Outubro 19, 2009 • Deixe um comentário

At least I have her love, the city she loves me
Lonely as I am, together we cry

 

 

Amor é um sentimento indecifravel.
O amor a minha cidade natal tem certa similaridade com o amor que sinto pelo meus familiares.
Eu não escolhi a minha família, não escolhi minha mãe ou irmão, mas do jeito que eles foram me dados, eu não tive outra opção.
Foi aqui que a minha mãe passou os nove meses comigo na barriga e foi com esse ar poluído que enchi os meus pulmões pela primeira vez. Os prédios da Santa Cecília foram a minha primeira impressão de paisagem.
Dei os primeiros passos no carpete de casa, aprendi a andar de bicicleta no cimento do quintal e a nadar numa piscina com onda artificial do Parque São Jorge.
Ônibus e metrô foram meus companheiros rumo a liberdade de ir aonde eu quisesse. Essa chuva que reclamo tanto molhou todos os meus livros do colégio, meus cartões postais no aniversário de 450 anos e as minhas amigas, enquanto esperavamos o show.
Foi nesse caos louco, cheio de barbeiros, caminhos tortuosos e congestionamentos quilométricos que descobri uma das coisas que mais gosto na vida: dirigir.
Muitas coisas importantes aconteceram fora daqui, mas foi sempre pra cá que eu voltei, cada estação me lembra uma pessoa, cada rua, uma musica, os lugares, datas.
Eu sei, assim como sei dos defeitos do meu irmão, que essa cidade tem um milhão de motivos pra não atrair ninguém, mas assim como ninguém pode falar mal dele na minha presença, eu me incomodo em ouvir as críticas, quase sempre verdadeiras, sobre a minha cidade.
Eu simplesmente não tenho escolha. Ela é parte de mim. Eu sou eu porque vivi aqui.
É um amor incondicional, que vai ficar pra toda a minha vida. Mesmo que me irrite profundamente, mesmo que a zona leste continue longe, que o povo feio se acotovele na Sé, que o céu seja cinza e o Tietê não tenha peixes…
Mesmo que eu vá pra longe por vontade própria ou por vontade da vida, nenhum outro lugar no mundo será meu berço e tomará este lugar no meu coração.

Como diria a Natália, essa é só mais uma bossa falando de amor.

 

<3 Sampa.

Keep it in the closet

•Setembro 29, 2009 • 1 Comentário

 

Because there's something about you, baby, that makes me want to give it to you

Because there's something about you, baby, that makes me want to give it to you

(Pra olhar ouvindo In The Closet.)

 

I swear there's something about you, baby

I swear there's something about you, baby

 

 

Sério, eu não quero ser repetitiva, mas olho pra essa pessoa e não resisto. My teenage love affair. Heartbreaker.

 

 

(e pra quem não conhece essa do MJ, clica:)

(ah, e a fonte da minha alegria diária, o queridíssimo Pattinson Brasil)

•Setembro 7, 2009 • Deixe um comentário

Sutilmente, do Skank, pra mim, é a personificação do porque acho poesia contemporanea uma merda.

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce

Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

Letrinha ridiculamente mediocre aspirando a ter conteudo. Pra mim, o equivalente musical a literatura do Paulo Coelho.

Aliás…

•Setembro 3, 2009 • Deixe um comentário

Falando nisso, vou postar uma foto dele, my true love, que ainda não apareceu nesse blog.

 

Will you marry me?

Will you marry me?

•Setembro 3, 2009 • 1 Comentário

Uma das mulheres que eu pegaria é a Lindsay Lohan.

 Talvez tenha a ver com o fato dela ser ruiva.

 

 

Ou então por causa desse jeito junkie, da Samantha, sei lá… Só sei que assisti ao filme I Know Who Killed Me e a achei muito sexy como stripper.

…ainda sobre RC

•Agosto 31, 2009 • Deixe um comentário

Depois de 22 anos inundada com a sua música, tentei por de lado o preconceito e admitir que gosto de alguns de seus trabalhos.

A maioria das pessoas da minha idade faz uma careta ao ouvir seu nome e se sente superior ao dizer que não gosta dele. (apesar de dizer feliz da vida que gosta de coisas ‘densas’ como funk… enfim…) Mas eu reconheço que algumas de suas letras são umas das mais bonitas poesias em portugues-br contemporaneas.  E quem me conhece sabe que musica pra mim é a letra e letra é poesia, pois não entendo nada de melodia, instrumentos, essas coisas… Só me encantam seus assuntos e suas formas de dizer…

Por exemplo, eu não entendia o conceito de universalidade na literatura enquanto estava no colégio, mas aos poucos percebi que em alguns livros nós nos identificamos totalmente com algum personagem e nos melhores até mesmo com todos eles, como se cada parte da nossa personalidade pudesse ser dividida e posta em um ringue, pra ver qual delas vai ganhar, qual sentimento vai prevalecer, quem somos nós afinal e onde iremos chegar. E quando nessa bagunça toda, jogam o tema ‘amor’, vemos num espelho o nosso objeto de adoração, as situações, os sentimentos…

E é aí, pra mim, que entra RC. Ele cantou muitas canções sobre amor e esse é o meu tema favorito.

“Olha” é uma das minhas preferidas dele, que já usei como trilha sonora pra alguns dias da minha vida.

Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

Em “Outra Vez”, sempre sempre sempre se encontra a lembrança de uma certa pessoa que nos tenha feito sentir algo compativel com o exposto ali.

Você foi
O maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi
Dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples pra mim…

Você foi
O melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade
Faz lembrar
De tudo outra vez…

Você foi
A mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu
Você foi
O caso mais antigo
E o amor mais amigo
Que me apareceu…

Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim
Sinto você bem perto de mim
Outra vez…

Me esqueci
De tentar te esquecer
Resolvi
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder…

Ah!
Você foi
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos
Que eu pude fazer…

Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim
Sinto você bem perto de mim
Outra vez….

Além disso, acho que não existe jeito mais feminino de dizer temas sensuais. Mulher às vezes gosta de ouvir coisas como “Quero só que se arrebente/Algum botão da sua blusa” ou “Os botões da blusa que você usava/ E meio confusa desabotoava/Iam pouco a pouco me deixando ver/No meio de tudo/Um pouco de você”. Sabe? Sentir o desejo do cara de um jeito mais terno? No meio de tanta sexualidade explicita, ouvir um ‘você é gostosa’ dito de forma não grosseira? Compreendo porque tantas mulheres se apaixonaram por seu atrevimento romantico.

E “Cavalgada”, eu acho umas das musicas mais eróticas.

Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida

Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder de madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda a cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço

Sem me importar se neste instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer

 

E por fim, uma das que eu acho mais universal de todas, deixo essa, ‘Do Fundo do meu coração’, porque sou fã de uma melancolia-amorosa-não-correspondida.

Eu, cada vez que vi você chegar,
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido, eu disse nunca mais
Mas, novamente estúpido provei
Desse doce amargo quando eu sei
Cada volta sua o que me faz

Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão
Vi o meu amor tratado assim
Mas, basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca pra mim

Mais uma vez aqui
Olhando as cicatrizes desse amor
Eu vou ficar aqui
E sei que vou chorar a mesma dor

Agora eu tenho que saber
O que é viver sem você

Eu, toda vez que vi você voltar,
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que sim
Mas, já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim

Mais uma vez aqui
Olhando as cicatrizes desse amor
Eu vou ficar aqui
E sei que vou chorar a mesma dor

Se você me perguntar se ainda é seu
Todo o meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que sim
Mas, já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim

 

Tudo sobre minha mãe (e Roberto Carlos)

•Agosto 31, 2009 • Deixe um comentário

Minha mãe adora Roberto Carlos.

Ela nasceu em 1955, morou na periferia, estudou em colégios públicos, trabalhou desde os 14 anos, não teve tempo pra se envolver em pseudointelectualidades nem engajamentos políticos. Ela foi uma típica brasileira popular e é fã do RC.

Então quando ele saiu nessa turnê em comemoração aos 50 anos de carreira, ela logo se prontificou a ir. Eu quis ir junto, compartilhar desse momento feliz e sentada lá ao lado dela na arquibancada, perguntei se ela já tinha ido a um show dele antes, ela respondeu:

-Sim, quando eu tinha uns 18 anos.

Em toda a minha vida, a ouvi escutar os programas dele de manhã no rádio, economizei o troco do lanche pra comprar um cd dele de aniversário pra ela, assisti aos especiais de fim de ano da Globo ao seu lado.

Nunca vai existir artista nenhum que me lembre mais a minha mãe do que ele. Claro, todas as mães já ouviram os filhos cantarem ‘Como é grande o meu amor por você’ na festinha da escola, mas todo amor de mãe/filho é repleto de clichês.

Minha mãe é uma mulher comum, eu sou uma filha comum, nosso amor é comum. Roberto Carlos fez uma arte comum e simples, como nós. Facinho de entender, porque todo mundo já sentiu o que ele diz.

Minha mãe é minha Lady Laura.

 

(e todo mundo tem a sua)

“A liberdade de ser uma cavilha redonda num buraco quadrado.”

•Agosto 27, 2009 • Deixe um comentário

Brave New World é longe o meu livro preferido. Deve ser o livro que mais vezes li. E pra mim é tão absurdamente fácil gostar dele, porque tem todos os elementos que me encantam. Toda vez que começo e vejo Huxley descrever um processo industrializado de produção de bebês, fico fascinada. Imaginando a sensação de ver 80 gêmeos identicos. E existe o soma, essa droga que eu a-do-ra-ri-a experimentar. Ele diz tudo que eu penso, sente todas as dores que eu sinto e termina do jeito que eu terminaria.

Brave New World é o livro que eu daria tudo pra ter escrito.

•Julho 29, 2009 • 2 Comentários

Olhar pelas luzes da cidade através do vidro embaçado, respingado da chuva incessante.
O rosto se ilumina, se apaga, se ilumina, o eterno jogo.
Quem saberia? Quem iria dizer? Uma noite corriqueira de julho, chuvosa e entediante, seria o dia mais importante de sua vida?
O insulfilme esconde dentro do carro preto a face confusa. Os olhos suplicam um herói, mas ninguém sequer os vê. Os lábios fixos, não se mexem, não saberiam expressar em palavras todo o turbilhão que se esconde dentro desse muro contido. E se rebate violentamente lá, presa.
Dirige mecanicamente, checa os espelhos mas nada vê. A rotina tão monótona parece ditar até mesmo os semáforos vermelhos e as músicas da rádio. As pessoas são as mesmas, as barberagens no trânsito são as mesmas, nada a surpreende, nada a arrebata, a não ser ela mesma, urrando sem sentido, sem motivo.
Duas, três, quatro quadras… O caminho é curto. O espaço é pouco. Pouco demais, pra nós três, baby. Eu e você. Eu e você, Solidão. Eu e você, Melancolia. Meu casamento bigâmico.
Uns músculos levemente tensionados, as pálpebras se fecham com mais força, as rugas que em breve apareceriam…
Novamente se abrem. O sinal verde já espera. Engata primeira.
Tudo brilha. Não, é escuridão. É tão silencioso dentro do caos. São os cacos de vidro refletindo os neons, girando em todas as direções, entrelaçando pelos cabelos, tocando violentamente a sua pele.
A visão periférica, os milésimos de segundo que seus olhos tiveram para avisá-la antes que tudo entrasse em slow motion, antes que o metal gemesse, antes que a fatalidade se realizasse.
E pode sentir delicadamente a aproximação de seu algoz, como dedos amorosos tocando seu braço numa manhã preguiçosa, o despertar lânguido de um sonho pouco agradável. É quase bom, seria bom se não doesse tanto, cada osso esmagado, cada órgão pressionado.
E o objeto de sua adoração, pode vê-lo por um lampejo. Eram olhos verdes escusos por um cabelo preto. Eram sérios e determinados. Era esse o encontro que ambos esperavam, estava escrito, destino. Eles eram soulmates. O amor à primeira vista, arrebatador, correram na direção um do outro a 100km/h, não podiam esperar, era urgente, eles precisavam se unir, se atrairam de forma irreversível. Nenhum deles piscou, nenhum deles demonstrou medo ou arrependimento. De cabeça erguida, mergulharam para seu amor destruidor. O êxtase foi momentâneo, mas qual êxtase de amor dura mais do que um instante? E foi pleno. Foi inteiriço e confortável, como fazer o que se nasceu pra fazer. Como estar no colo de um companheiro, ele a abraçou, com suas extensões plásticas, metálicas, industrializadas em série. Ele flechou seu coração, transpassou seu corpo, mudou sua vida para sempre.
Ela havia esperado por esse momento, tão ansiosamente. Pensado nele todas as noites antes de dormir, pedido a vários deuses de vários credos. E quando seus olhos viram os olhos dele, ela soube, ela foi feliz. Eles foram um só.
Os cabelos voando desgrenhados, o cinto de segurança prendendo seu corpo enquanto o parachoque dele vinha ao seu encontro, as mãos soltando do volante. Os carros girando pela rua, como numa valsa, o homem guiando a mulher, o próximo passo, o próximo número, a coreografia certa. E os pneus cantando foram música. E tudo em volta se tornou um borrão, esquecido frente a importância desse acontecimento, esse primeiro beijo apaixonado entre dois amantes. O amor dói.
Ela sabia que quando ele chegasse, ele mudaria sua vida, acabaria com todo esse sofrimento. Ela estava certa, sempre esteve.