Não

•Janeiro 12, 2009 • 1 Comentário

“Não.

Esse não é mais um post. Não é mais um conto, muito menos um poema.
Não crie espectativas, não imagine, não se iluda. Não contarei uma história, não narrarei sentimentos, não julgarei, não sonharei.
Não haverá personagens, não tecerei um vilão, não falarei de política, religião ou saúde. Não é colorido, nem preto-e-branco, nem invisivel. Sequer o é.
Não me estenderei por longas rolagens de tela, vários cliques ao mouse, inúmeros megabytes, dados de memória ram. Não quero fundir seu tele-encefalo desenvolvido com perguntas filosóficas, ofuscar seus olhos com clichês, nem seus ouvidos com banalidades.
Não colocarei penduricalhos, não perfumarei, nem me esforçarei. Não lhe incomodarei. Não lhe informarei. Não lhe agradarei. Só tomarei seu tempo.”

[parafraseando a mim mesma, quase 4 anos depois...]

Sou chata [na balada]

•Novembro 10, 2008 • 2 Comentários

Olha, vou confessar uma coisa: Não gosto de ser deixada sozinha na balada.

Sei lá. Posso ser ‘muderninha’ em alguns aspectos, ir em baladinhas alternativas, ter amigos exóticos.. Mas nesse ponto, sou old-fashioned.

Sabe aquele tipo que vai com amigas em número ímpar porque se uma começar a ficar com alguém, a outra não vai ficar só? E se todas tiverem alguém, ou arranjam alguém pra sozinha ou dão um jeito de não fazê-la se sentir vela master? Tipo isso.

Eu não sou efusiva e não consigo dançar enlouquecidamente numa rodinha com muita gente desconhecida. Pra me divertir, eu preciso me sentir a vontade.Claro que gosto da presença de pessoas novas (e é até pra isso que saimos, não é?). Mas gosto mesmo de sair com aqueles amigos que a gente sabe que serão boa companhia, dançarão os passos que a gente inventou junto, aderem a ideia de virar tequila e acompanham na hora de ir embora.

Teve um tempo que eu sempre arrastava algum amigo ‘confiavel’ (e entenda aqui por não muito imprevisível) toda vez que saia a noite, principalmente quando ia a pé e teria de esperar o horário do metrô pra voltar pra casa. Isso era chato porque acabava perdendo oportunidades quando essas pessoas não queriam me acompanhar…

E também parecia chatice, coisa de criança, frescura… É verdade, confesso…

Então eu comecei a dirigir, isso me trouxe um pouco mais de liberdade e aos poucos tentei me desvencilhar dessa neura…

Até que eu estava conseguindo, mas…

Eis que esses dias saí com dois amigos que entraram vip na balada e do nada resolveram  sair pra comer cachorro quente. Eu perguntei o que eu faria enquanto isso e a resposta foi ‘Se joga.’

Eu não sei exatamente o que isso significa… Seria tipo ir ao bar e tomar uma dose de tequila, se embrenhar em uma rodinha alheia dançando horrores e agarrar o primeiro homem agarravel que surgisse?

Ah, claro, BEM a minha cara fazer isso….

Ontem aconteceu outro tipo de situação…

Fui a uma festa com uma outra amiga. Como era da faculdade dela, ela estava se sentindo em casa e cheia de conhecidos. Eu já havia visto algumas das amigas dela uma ou outra vez na vida, mesmo porque em outra ocasião ela já havia me deixado sozinha, mas sabe… Simplesmente não é da minha natureza… Eu posso até me divertir, mas não vou adoraaar a noite se não puder fazer nenhum comentario familiar, sabe aquela cumplicidade de amiga?

Por motivos xis, eu já entrei na festa meio mal-humorada, queria tomar alguma coisa mas o bar estava abarrotado… E depois de ter ficado mais de 2 horas esperando a minha amiga, a primeira coisa que ela fez foi desaparecer…

Pessoas fazem amigos em cinco minutos na balada, dançam com desconhecidos, riem e blablabla… Eu não.

Comentando sobre isso hoje com meu amigo (o que foi comer cachorro quente sem mim), ele falou ‘por que você não se jogou?’ De novo me pergunto ‘hã?’. Perguntei se era pra eu agarrar algum cara e ele disse que sim.

Acho que não deixei muito claro que na minha cabeça half-old-fashioned meninas não agarram meninos literalmente, ainda mais quando estão de mal humor…

 

Tá, estou sendo chata, mas sabe… É da minha personalidade… Não sou sociavel… E acredito que nossos amigos deveriam nos conhecer e saber que existem certas coisas que acabam com a nossa noite.

 

 

#notamental: não deixar mais as chaves do carro com a pessoa que resolve sumir.

Bienal de Arte

•Outubro 27, 2008 • 1 Comentário

Não lembro qual foi a minha primeira Bienal. Lembro da de 2004, quando colocaram uma placa falando que pelos 450 anos de Sampa, seria de graça. Esse ano também foi e tenho de agradecer.

O fato é que a Bienal sempre teve um certo ‘óóó’. Como diria o Cauê, ‘a Bienal era o sonho de qualquer artista plástico de terceiro colegial’. (Não vou dizer que um dia sonhei em expor lá, porque, apesar de eu ter me embrenhado no mundo de design, nunca sequer pintei um quadro).

Pela primeira vez, tardiamente até, eu pensei na Bienal de outra forma. Só agora, antes de visitar a essa exposição, percebi como ela é… ahn… ortodoxa.

Tá, arte é arte, mas existe essa linha de arte reconhecida, arte ‘de massa’, arte veiculada na mídia. O que me levou a esse pensamento foi descobrir que existe uma bienal paralela, só então me dei conta de que as verdadeiras vanguardas definitivamente não poderiam estar lá, no meio do Ibirapuera, sendo expostas de graça para um porção de leigos. Sim, generalizando e sendo um pouco discriminatória, arte que choca de verdade, não videos de circuncisão ou pessoas nuas, não atrai corum.

E já fui pensando assim e já um pouco influenciada com o que li sobre essa ser a bienal-do-vazio e já cheguei lá e já não me surpreendi at all. Na verdade, essa foi a bienal mais migué que já fui na vida.

Arte a parte, essa história de deixar o andar todo vazio para repensarmos o espaço só colava nas aulas de Plástica do Goya, no primeiro ano da faculdade, quando neguinho não fazia o trabalho e ia lá na frente defender sua folha A3 em branco. Mal interpretado? Ah, me desculpem senhores curadores mas, se nós, estudantes (e formados) em arquitetura-arte-comunicação não conseguimos entender, quem irá? Será que é pretensão da minha parte achar que pelo menos algum de nós deveria ter bolado qualquer que fosse a interpretação? Sério, se for pra inventar uma histórinha, só consigo pensar em um motivo pra isso: falarei mais abaixo.

Sobre as obras… Quais obras? São tem nada de marcante lá. Só um monte de banquinhos legais que eu gostaria de ter feito na minha aula de oficina de madeira e um tobogan prateado do qual o povo se joga do segundo ou terceiro andar e cai numa almofada no meio das pessoas no térreo. Sabe, não tinha uma obra que nos emocionasse. A mostra parece que virou só audiovisual. E isso é bem last season. Sentar em sala com três telas de projeção mostrando a mesma coisa por três ângulos diferentes chega a ser lugar comum. Tudo está esparso e rarefeito. Mas não parece definitivamente que foi feito para ser esparso e rarefeito.

E voltamos ao vazio. Se nos outros andares estivessem superlotado de obras, daria a impressão de que o segundo andar foi deixado limpo de propósito. Mas não, essa ilusão acaba rapidamente ao chegar ao terceiro andar e sentir que não havia obras suficientes pra toda aquela área.

E, finalmente, chegamos à questão da pichação. Olha, pichar, diferente de grafite, claro, pode atééé ser considerada uma forma de arte. Sei lá. Arte é subjetivo, não é? O que me incomoda é esse povo que atuou na Choque Cultural dizer que quer repensar o conceito de arte. Tipo, todo mundo tem o direito de pensar o que quiser, mas estragar o trabalho dos outros, isso está além. Ache qualquer outra forma de expressão que não seja vandalismo.

E aí que o grupo diz que vai aparecer na bienal e a curadoria diz que eles que venham… E aí aparece aquele imenso andar vazio. Não sei quanto tempo a curadoria demora pra montar a exposição, mas aí está o motivo que eu citei acima: aquele espaço vazio, pra mim, mais parece uma provocação. Sim, uma totaaaal provocação. (Todo mundo sabe que pichadores adoram paredes branquinhas)

Resultado disso tudo? Eu no Belfiore comendo um lanche quando só se ouvem gritos, correria, vidros quebrando. Sim, eles foram lá. E não foram os primeiros, antes já passara pelo andar um grupo de coladores de stickers. Quarenta pessoas na ação, alguns fugiram, outros foram pegos mas também sairam quebrando uma das vidraças. Só sobrou uma fulana bode expiatório pra contar a história. Chega a ser humilhante praquele bando de seguranças e polícia acabarem deixando escorrer pelos dedos e só reter uma menina que tinha menos de um metro e meio de altura.

Não apoio esse ato, apesar de ter ficado menos revoltada pelo fato deles terem pichado as paredes e não as obras dos outros. Mas meu… Tem que ter muito sangue de barata pra ver aquela imensidão branca e não querer ‘intervir’.

Esse 2° andar é uma provocação. E, teorias da conspiração, talvez tudo isso seja algum tipo de performace previamente combinada.

É, seguindo essa linha de raciocínio, talvez o vazio esteja sendo um sucesso.

 

Mas no fundo, no fundo, fico com as palavras do Greg: “Essa Bienal parece que foi feita só porque é ano de ter bienal.”

PS: E, assim como no dia anterior foram colados adesivos que hoje já não estavam presentes, em pouquíssimo tempo as paredes estarão novamente brancas.  Não sei se é primitivo ou evoluido pensar que eles (pichadores) queriam provocar uma reflexão e, de fato, conseguiram (afinal, aqui estou eu falando sobre eles e não sobre a arte ortodoxa) Talvez esse fosse o objetivo claro até mesmo da curadoria e eu estou caindo feito patinha na lorota. De volta à teoria da conspiração.

Pra essa sexta

•Outubro 25, 2008 • Deixe um comentário

Falta pouco pra meia noite se tornar sábado. E antes que tudo vire abóbora, preciso fazer um post.

Já escrevi no Incinerador e aqui estou eu, ainda ouvindo Gotan Project, cheia de vontade de sair dançando pela sala da minha casa, com amigos rindo ao meu lado, segurando taças (ou copos de morango) de vinho.

Ai, eu morro de saudades.

Teriamos aula no dia seguinte, mas estariamos juntos. Assistindo video do Michael Jackson no youtube ou ouvindo a versão do Travis pra I will survive.

Teriamos alcool, claro. Alguém faria uma caipirinha pra mim. Fandangos, pipoca, chocolate, batata palha.

E dariamos risada. Falariamos mal do Busato, reclamariamos do prazo pro fim do semestre. Alguém puxaria algum outro pra cozinha e falaria algum segredo. Nos jogariamos no sofá, pelos bancos que nós mesmos fizemos na oficina de madeira, iriamos pra sacada.

Considerariamos a possibilidade de ir pra alguma festa de rep, mas desistiriamos porque estariamos velhos. E estariamos felizes. Estariamos juntos.

 

Nostalgia, nostalgia. Sinto falta de tudo aquilo, mas me consola saber que nada foi em vão, que todos os minutos valeram a pena. E me pergunto se voltaremos a ser felizes como fomos naquela época.

Acho indigno.

•Outubro 16, 2008 • 1 Comentário

Tenho minhas fortes convicções sobre tudo que você quiser saber. De vez enquanto mudo de opinião, mas sempre tenho, sobre tudo…

Vim dizer que acho tosca toda essa aura mamãe-quando-crescer-quero-ser-escritor.

Não é uma coisa muito comum aqui no Brasil, I guess, mas ser escritor parece ter um quê de status, tipo dizer sou advogado.

Acho bege gente que resolve escrever um livro infantil, ilustrado a mão e com um botãozinho que toca canções de ninar só porque já plantou uma árvore e teve um filho.

Escrever, pra mim, tem de ser uma ação viceral. O escritor ideal (pra mim) é aquela mulher que odeia o trabalho que tem, é dispensada pelo cara que gosta, tem um step só pra sexo, amigos zé-droguinhas, mora sozinha, chega em casa sábado de madrugada meio descabelada, abre o notebook enquanto veste um robe preto, acende um cigarro, abre uma garrafa de vinho e começa a vomitar todas as dores mais profundas dessa vida. E treme. Escritores precisam ter mãos trêmulas. Aperta os olhos quando traga, joga a fumaça no espelho. Escritores pra mim não podem ter escolha. Eles simplesmente precisam realizar esse ato inútil que é inventar joãozinho-e-mariazinha-perdidos-com-migalhas-pão ou então morreriam. Como se essa fosse a unica coisa que os impeça de realizar suicídio. Como um vício.

Eu não sou escritora. E se eu fosse, nunca diria ’sou escritora’. Escrever não pode ser um ganha pão. Não falo no sentido em que jornalistas escrevem. Escrever mesmo tem de ser uma confissão. Algo que quase dá vergonha de admitir. Como um fetiche.

Escritores precisam estar desesperados. Ou se tornam Stephen King’s ou J.K.Rowling’s da vida. Só um parentese pra dizer que admiro a obra desses dois, mas que, convenhamos, eles não estão no meu ideal. Escritores não podem ficar ricos com seus trabalhos. Não podem ser reconhecidos. Eles precisam ser vanguardistas e ignorados até a sua morte. A humanidade precisaria de tempo pra compreender suas obras visionárias. Mesmo que tenham ou não ambições de serem famosos ou ricos por isso, simplesmente não podem, sob pena de perderem o encanto.

Não precisaria criar todo um mundo imaginário, et’s, seres do além, novas civilizações… Bons escritores fazem miséria com o que temos aqui, como Saramago fez em ESC por exemplo…

Amy Winehouse pra mim tem toda a vibe de escritora. (De qualquer forma, como compositora, ela o fez).

Escritores tem de sair do underground, de desempregados, condenados pela sociedade, junkies, pais-de-familia-que-nunca-admitiram-ser-gays, donas-de-casa-que-tem-vontade-de-afogar-seus-filhos-na-banheira, padres-pedófilos… Infelizes mesmo se aparentarem vidinhas perfeitas… Frustrados, melancólicos, pessimistas, mediocres-resignados…

Entretanto, é só ir na Saraiva da esquina e ver na montanha de livros best-sellers as fotinhos risonhas dos autores na capa pra concluir que esse pensamento é restrito a mim.

 

Não quero generalizar nem dizer que não gosto de absolutamente nenhum livro de gente que não se enquadre no perfil acima. Só estou dizendo qual seria o meu ideal.

Top #3: “Itens que influenciam sua viagem de metrô e podem transformá-la num inferno”.

•Setembro 11, 2008 • Deixe um comentário

Top3 – Intempéries climáticas:

3°-Calor/Frio

2°-Chuva

1°-Tempestade apocalíptica.

 

Top3 – Escolhas do vestuário:

3°-Cabelo solto

2°-Calçado aberto

1°-Saia

 

Top3 – Ações de usuários:

3°-Tossindo no seu pescoço

2°-Criançinha vomitando

1°-Espirro de qualquer espécie [iiiiiiiiiiiiiiirc!]

 

Top3- Homens desprezíveis

3°-Homem sem desodorante às 6 da tarde na Sé sentido Corinthians-Itaquera.

2°-Homem tentando te encoxar.

1°-Homem sem desodorante às 6 da tarde na Sé sentido Corinthians-Itaquera tentando te encoxar.

 

Top3- Gadgets

3°-Celular falhando no meio da ligação com o boy ao entrar no túnel.

2°-Bateria do mp3player acabar no meio da música

1°-Fulaninho ouvindo funk no mp3-4-5-última-geração dele.

 

Top3- Desastres que desafogariam o sistema

3°-Cair uma bomba na estação Brás

2°-Cair uma bomba na CPTM

3°-Cair uma bomba na ZL

 

Top3- Piores dias da semana

3°-Sábado e domingo

2°-Segunda, terça, quarta, sexta

1°-Quinta-feira.

 

¬¬

 

Conviver com a população usuária do metrô nos horários de pico todos os dias aumenta o índice de suicídio.

Contradição

•Setembro 4, 2008 • 2 Comentários

Vai soar como uma contradição, como uma contradição MUITO grande, mas….

Quero muito sair de São Paulo.

 

Eu sei quantas e quantas vezes chorei na época da faculdade pensando em voltar pra cá. Quem ouviu meus lamentos certamente terá vontade de me dar um tiro ao ler isso, mas é a mais sincera verdade…

Durante os quatro anos que estive fora, voltar era uma ilusão na qual eu gostava de me refugiar. No começo foi pela falta que realmente fazia. Depois por estar de saco cheio da vida em Bauru.

Mas, ao mesmo tempo que hoje não cabe mais de nenhuma forma voltar à vida universitária, começo a perceber que a vida aqui não me comporta mais.

Isso é clarissimo ao comparar a rotina de quando eu tinha 16 anos e a atual. Os laços que me prendem a essa cidade eram muitos e muito fortes. Aos poucos foram arrebentando e agora se resume à minha familia, uma talvez maior chance profissional e o passado.

Voltar a São Paulo trouxe algumas delicias que eu nunca esqueci. Em compensação, trouxe também o ônus que eu sabia que traria. Além, óbvio, de uma previsível decepção.

Meus amigos mudaram, a cidade mudou, minha vida mudou, minha personalidade…

Estar aqui é mais dolorido do que não estar. Culpar a distância nos dias tristes era mais fácil do que culpar o desencaixe em que tudo se tornou.

As pessoas aprenderam a viver sem mim (e eu sem elas). Eu aprendi a me virar sozinha e a gostar da liberdade. Eu aprendi a gostar mais ainda de ter uma parcela de individualismo.

Eu fico triste de ver a cada pessoa que foi importante pra mim cair na lista do arquivo morto.

Voltar a morar com a familia também não é nada facil quando se acostuma a não dar satisfações.

Em quatro anos, todos os dias eu me senti incompleta. Agora, me sinto presa ao passado, entre imaginar como eram as coisas boas tanto de antes como da epoca de faculdade. Não sei bem explicar. Sufoca-me as saudades de coisas que estão ao alcance da mão.

Eu quero uma mudança total. Mas não com o olhar assustado que tinha aos 17 anos, não a contra-gosto, não pensando somente em voltar, não com os dias contados.

Eu quero resetar totalmente a minha vida.

Quero me mudar para longe, onde não conheço ninguém e tenha que fazer um novo grupo de amigos. Quero ir pra outra casa que não essa onde já moro há 20 anos, quero móveis novos, quero ter a experiência de fazer as coisas como eu quero. Quero poder escolher entre ficar sozinha ou ter pessoas comigo. Quero comer mais comida congelada. Quero um trabalho novo que me realize.

Quero o total cliche de virar a pagina e começar absolutamente tudo de novo, com a mente aberta, com um futuro incerto, sem medo de estabelecer qualquer raiz em qualquer outro lugar…

E quero botar a prova, se eu for e essa cidade me fizer tanta falta quanto fazia antes, então será real que é nela que eu devo ficar.

 

Quando eu era adolescente, não conseguia imaginar a vida fora daqui, como as pessoas escolhiam criar seus filhos em outra cidade… Hoje eu sei que existe sim vida fora de Sampa. Ainda sou apaixonada pela minha terra natal, mas essa nuvem pessoal turva meu olhar e faz com que eu me sinta mal em estar aqui.

Amores platônicos são sempre muito mais (felizes) bonitos.

Bauru em números

•Agosto 25, 2008 • Deixe um comentário

Passei no vestibular em 9º lugar.

Foram 4 anos e meio.  1643 dias. 39420 horas.

18 estações. 42 meses.

Foram 2 casas. Dividi apartamento com 10 pessoas diferentes. Tive 2 quartos.

Aproximadamente 650 horas passadas em ônibus viajando os aproximados 20800 km em aproximadas 125 idas e vindas. Talvez 3400 reais em passagens.

Foram 9 semestres. 204 créditos. 54 matérias.

Foram 5 festas de DI. Foram 29 companheiros de sala de pp + nossos 30 irmãos pv noturnos + nossos 25 primos distantes pv diurnos + veteranos e transferidos pelo caminho. Só 1 desistiu (e pra virar engenheiro).

As Lulu’s são 11. As bebes mascotes são 2.

Companheiros de colação de grau foram 6.

Na festa de formatura levei 20 convidados.

Minha mãe foi a bauru 5 vezes: na prova de aptidão, na matricula, no primeiro dia de aula, na formatura e na colação. Meu pai, 0.

Tive 1 dp. 1 nota 5 e 1 nota 5,1 (de economia, a famigerada e já extinta).

Das 0 horas obrigatórias de estágio, cumpri 100.

Incognitas:

Fiz x amigos, beijei n pessoas, conheci um mol fatorial de fulanos, fui a y lugares, bebi a+b litros de alcool, fiz z viagens, chorei sei-lá-quantas-vezes.

 

Mil vezes eu quis voltar. Mil vezes eu quis ir. Mil vezes eu senti saudades (o dobro). Zero vezes eu desisti. Zero vezes eu me arrependi.

 

Uma vez agradeci, e agora a 2ª:

Obrigada, UNESP, pelos 4,5 melhores anos da minha vida.

Modinha

•Agosto 1, 2008 • Deixe um comentário

Estou um pouco bege. Acabei de comprar um all star branco.

Tá, não tem nada de mais isso, mas eu sempreeee disse que não gostava de tenis branco. Já xinguei gente que me contou sobre o plano de comprar all star branco. Tá todo mundo usando esse modelinho de couro e tenho pânico dessa história de ‘tá saindo muito’.

Mas comprei.

Esses dias mesmo estava pensando sobre calça skinny x boca larga. Lembro que eu achava uózissimo o sapato aparecendo pra caramba. Agora acho bem bonitinho. (Sei que já está pra mudar isso também, mas demora um pouco, né)

Ou manga bufante. Tá que as mangas bufantes de agora são bem mais discretas, mas até consigo aceitá-las.

O interessante é todo o processo de convencimento de milhões de pessoas de que o que elas usaram ano passado é last season e que agora devem usar exatamente o contrário.

(Lembro da Rosana Sol e o tal pendolo da humanidade, sempre se seguindo vanguardas opostas)

É mágico. De verdade. Fico tentando me lembrar como me convenceram e como continuarão convencendo, mas é sutil demais pra se ver.

Hablar sobre la naturaleza

•Julho 31, 2008 • Deixe um comentário

Toda vez que penso ’sobre o que iremos falar?’, me vem essa frase do Erico no Olhai os Lírios do Campo (não tenho mais memória e não tenho mais certeza se a informação procede). Enfim…

Toda vez que clico nesse wordpress, acho que devia postar mais. Mas, sim, repetindo, não quero viciar nisso. Já não basta o twitter. (gente, tô ultra viciada)

Continuando: olho meus posts e concluo que 4,5 anos de faculdade de ícones não me ajudaram com os caracteres e que preciso aprender a escrever de novo. Não quero dizer de novo como se um dia tivesse sabido. É a falta de memória puxando a falta de vocabulário puxando erros gramaticais…. E aí lembro da gente dizendo ‘vamos ser neomodernistas’ só pra não precisar escrever direito. Escrever errado é old-fashioned. E pra isso virar hype precisa de um talento que não tenho. Portanto, antes que venham os tomates, melhor atentar às regras.

Não me lembro mais o objetivo que tinha com esse post. Ah, lembrei: nenhum. Só hablar em circulos.

É phyno gente que escreve sobre nada e consegue ser interessante. Tipo Senfield (que não vejo graça nenhuma, diga-se).  Já eu adoro temas batidos tipo amor, desilusão, descrença, pessimismo, essas coisas que já cansaram de ser escritas. E obviamente não me destaco porque mil autores tiveram, no mínimo, a idéia antes de mim. E obviamente não irei me destacar por causa do óbvio ululante: não é porque sei juntar b+a=ba que vou escrever bem, né…

Mas blogs são livres e qualquer zé-tecladinho faz um e ‘é nóis’.

Acho divertidíssimo esse negocio de ‘expressar os sentimentos’. Primeiro porque acho que tenho uma certa propensão genetica a guardar as coisas que queria ter dito, então escrever é um desabafo, tira peso de mim e não me sinto humilhada (sim, sou orgulhosa e acho que qualquer coisinha fere meu orgulhinho-querido).

Segundo: por contabilidade. Sério, cheguei a essa palavra pra definir. Eu gosto de contabilizar sentimentos. Ter uma nota impressa ali pra me lembrar onde gastei energia. (Ainda bem que pensei nisso antes da falta de memória) Sentimentos são voláteis demais e não quero esquecer deles. ‘Guardo-os em vidrinhos numa prateleira’.

E aí é legaaaaaal, qualquer um pode se atirar da janela, entrar na banheira e ligar o secador de cabelo, beber até desmaiar, ser feliz ou morrer de tristeza. Adoro. Posso exagerar o meu natural exagero sem que ninguém me condene por isso.

Sou exagerada. Até mesmo com a culpa-pós-piti. Eu fico fatalmente magoada com algo, nunca mais quero falar com alguém, me acho a pior pessoa do mundo por tudo depois. É fato, é ciclico, não posso evitar.

(E a pior coisa é se sentir condenado por si mesmo)

Fico uns minutinhos lá curtindo a minha fossa ou tendo esperança de algum amor-breve-de-metrô, depois guardo minhas folhinhas na pasta quadriculada ou clico no ‘publicar’. E são meus.

Claro que seria legal se do nada meu blog bombasse sem que eu fizesse a menor questão, mas eu-tô-nem-aí, viu… O anonimato na internet é um pouco cruel, mas o ‘diarinho’ me basta.

Não quero falar sobre o que fiz hoje. Não quero reclamar do meu job, não quero reclamar dos meus colegas, nem do metrô, nem do tempo seco, nem do sono. No máximo, reclamaria por desilusões amorosas, mas isso é vício e  procuro desilusões amorosas pra escrever até na fila do restaurante. Eu me canso de mim mesma. Acho que sou uma viciada em amores breves silenciosos e sofro separações todas as noites antes de dormir por pessoas que nem mesmo escutei a voz. É, eu sofro inutilmente e essa é a única semelhança/união com os grandes autores: sofrimento (real ou ilusório) impulsionando a criatividade.

Amanhã de manhã, por exemplo, vou sofrer de sono pois está tarde e tenho que trabalhar.

Chega de ‘naturaleza’ por hoje.