Contradição

Vai soar como uma contradição, como uma contradição MUITO grande, mas….

Quero muito sair de São Paulo.

 

Eu sei quantas e quantas vezes chorei na época da faculdade pensando em voltar pra cá. Quem ouviu meus lamentos certamente terá vontade de me dar um tiro ao ler isso, mas é a mais sincera verdade…

Durante os quatro anos que estive fora, voltar era uma ilusão na qual eu gostava de me refugiar. No começo foi pela falta que realmente fazia. Depois por estar de saco cheio da vida em Bauru.

Mas, ao mesmo tempo que hoje não cabe mais de nenhuma forma voltar à vida universitária, começo a perceber que a vida aqui não me comporta mais.

Isso é clarissimo ao comparar a rotina de quando eu tinha 16 anos e a atual. Os laços que me prendem a essa cidade eram muitos e muito fortes. Aos poucos foram arrebentando e agora se resume à minha familia, uma talvez maior chance profissional e o passado.

Voltar a São Paulo trouxe algumas delicias que eu nunca esqueci. Em compensação, trouxe também o ônus que eu sabia que traria. Além, óbvio, de uma previsível decepção.

Meus amigos mudaram, a cidade mudou, minha vida mudou, minha personalidade…

Estar aqui é mais dolorido do que não estar. Culpar a distância nos dias tristes era mais fácil do que culpar o desencaixe em que tudo se tornou.

As pessoas aprenderam a viver sem mim (e eu sem elas). Eu aprendi a me virar sozinha e a gostar da liberdade. Eu aprendi a gostar mais ainda de ter uma parcela de individualismo.

Eu fico triste de ver a cada pessoa que foi importante pra mim cair na lista do arquivo morto.

Voltar a morar com a familia também não é nada facil quando se acostuma a não dar satisfações.

Em quatro anos, todos os dias eu me senti incompleta. Agora, me sinto presa ao passado, entre imaginar como eram as coisas boas tanto de antes como da epoca de faculdade. Não sei bem explicar. Sufoca-me as saudades de coisas que estão ao alcance da mão.

Eu quero uma mudança total. Mas não com o olhar assustado que tinha aos 17 anos, não a contra-gosto, não pensando somente em voltar, não com os dias contados.

Eu quero resetar totalmente a minha vida.

Quero me mudar para longe, onde não conheço ninguém e tenha que fazer um novo grupo de amigos. Quero ir pra outra casa que não essa onde já moro há 20 anos, quero móveis novos, quero ter a experiência de fazer as coisas como eu quero. Quero poder escolher entre ficar sozinha ou ter pessoas comigo. Quero comer mais comida congelada. Quero um trabalho novo que me realize.

Quero o total cliche de virar a pagina e começar absolutamente tudo de novo, com a mente aberta, com um futuro incerto, sem medo de estabelecer qualquer raiz em qualquer outro lugar…

E quero botar a prova, se eu for e essa cidade me fizer tanta falta quanto fazia antes, então será real que é nela que eu devo ficar.

 

Quando eu era adolescente, não conseguia imaginar a vida fora daqui, como as pessoas escolhiam criar seus filhos em outra cidade… Hoje eu sei que existe sim vida fora de Sampa. Ainda sou apaixonada pela minha terra natal, mas essa nuvem pessoal turva meu olhar e faz com que eu me sinta mal em estar aqui.

Amores platônicos são sempre muito mais (felizes) bonitos.

~ por julferbas em setembro 4, 2008.

2 Respostas to “Contradição”

  1. Eu também quero uma página em branco…

  2. Eu não faço a mínima questão de ter uma série de coisas que eu tinha aos 17 anos… mas uma gostaria… de ter a coragem de simplesmente me jogar para o novo…

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