Acho indigno.

Tenho minhas fortes convicções sobre tudo que você quiser saber. De vez enquanto mudo de opinião, mas sempre tenho, sobre tudo…

Vim dizer que acho tosca toda essa aura mamãe-quando-crescer-quero-ser-escritor.

Não é uma coisa muito comum aqui no Brasil, I guess, mas ser escritor parece ter um quê de status, tipo dizer sou advogado.

Acho bege gente que resolve escrever um livro infantil, ilustrado a mão e com um botãozinho que toca canções de ninar só porque já plantou uma árvore e teve um filho.

Escrever, pra mim, tem de ser uma ação viceral. O escritor ideal (pra mim) é aquela mulher que odeia o trabalho que tem, é dispensada pelo cara que gosta, tem um step só pra sexo, amigos zé-droguinhas, mora sozinha, chega em casa sábado de madrugada meio descabelada, abre o notebook enquanto veste um robe preto, acende um cigarro, abre uma garrafa de vinho e começa a vomitar todas as dores mais profundas dessa vida. E treme. Escritores precisam ter mãos trêmulas. Aperta os olhos quando traga, joga a fumaça no espelho. Escritores pra mim não podem ter escolha. Eles simplesmente precisam realizar esse ato inútil que é inventar joãozinho-e-mariazinha-perdidos-com-migalhas-pão ou então morreriam. Como se essa fosse a unica coisa que os impeça de realizar suicídio. Como um vício.

Eu não sou escritora. E se eu fosse, nunca diria ‘sou escritora’. Escrever não pode ser um ganha pão. Não falo no sentido em que jornalistas escrevem. Escrever mesmo tem de ser uma confissão. Algo que quase dá vergonha de admitir. Como um fetiche.

Escritores precisam estar desesperados. Ou se tornam Stephen King’s ou J.K.Rowling’s da vida. Só um parentese pra dizer que admiro a obra desses dois, mas que, convenhamos, eles não estão no meu ideal. Escritores não podem ficar ricos com seus trabalhos. Não podem ser reconhecidos. Eles precisam ser vanguardistas e ignorados até a sua morte. A humanidade precisaria de tempo pra compreender suas obras visionárias. Mesmo que tenham ou não ambições de serem famosos ou ricos por isso, simplesmente não podem, sob pena de perderem o encanto.

Não precisaria criar todo um mundo imaginário, et’s, seres do além, novas civilizações… Bons escritores fazem miséria com o que temos aqui, como Saramago fez em ESC por exemplo…

Amy Winehouse pra mim tem toda a vibe de escritora. (De qualquer forma, como compositora, ela o fez).

Escritores tem de sair do underground, de desempregados, condenados pela sociedade, junkies, pais-de-familia-que-nunca-admitiram-ser-gays, donas-de-casa-que-tem-vontade-de-afogar-seus-filhos-na-banheira, padres-pedófilos… Infelizes mesmo se aparentarem vidinhas perfeitas… Frustrados, melancólicos, pessimistas, mediocres-resignados…

Entretanto, é só ir na Saraiva da esquina e ver na montanha de livros best-sellers as fotinhos risonhas dos autores na capa pra concluir que esse pensamento é restrito a mim.

 

Não quero generalizar nem dizer que não gosto de absolutamente nenhum livro de gente que não se enquadre no perfil acima. Só estou dizendo qual seria o meu ideal.

~ por julferbas em outubro 16, 2008.

Uma resposta to “Acho indigno.”

  1. ai Ju, as vezes lendo seus textos vejo que ainda te conheço tão pouco!!! rs
    =)
    beijinhos

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