Bienal de Arte

Não lembro qual foi a minha primeira Bienal. Lembro da de 2004, quando colocaram uma placa falando que pelos 450 anos de Sampa, seria de graça. Esse ano também foi e tenho de agradecer.

O fato é que a Bienal sempre teve um certo ‘óóó’. Como diria o Cauê, ‘a Bienal era o sonho de qualquer artista plástico de terceiro colegial’. (Não vou dizer que um dia sonhei em expor lá, porque, apesar de eu ter me embrenhado no mundo de design, nunca sequer pintei um quadro).

Pela primeira vez, tardiamente até, eu pensei na Bienal de outra forma. Só agora, antes de visitar a essa exposição, percebi como ela é… ahn… ortodoxa.

Tá, arte é arte, mas existe essa linha de arte reconhecida, arte ‘de massa’, arte veiculada na mídia. O que me levou a esse pensamento foi descobrir que existe uma bienal paralela, só então me dei conta de que as verdadeiras vanguardas definitivamente não poderiam estar lá, no meio do Ibirapuera, sendo expostas de graça para um porção de leigos. Sim, generalizando e sendo um pouco discriminatória, arte que choca de verdade, não videos de circuncisão ou pessoas nuas, não atrai corum.

E já fui pensando assim e já um pouco influenciada com o que li sobre essa ser a bienal-do-vazio e já cheguei lá e já não me surpreendi at all. Na verdade, essa foi a bienal mais migué que já fui na vida.

Arte a parte, essa história de deixar o andar todo vazio para repensarmos o espaço só colava nas aulas de Plástica do Goya, no primeiro ano da faculdade, quando neguinho não fazia o trabalho e ia lá na frente defender sua folha A3 em branco. Mal interpretado? Ah, me desculpem senhores curadores mas, se nós, estudantes (e formados) em arquitetura-arte-comunicação não conseguimos entender, quem irá? Será que é pretensão da minha parte achar que pelo menos algum de nós deveria ter bolado qualquer que fosse a interpretação? Sério, se for pra inventar uma histórinha, só consigo pensar em um motivo pra isso: falarei mais abaixo.

Sobre as obras… Quais obras? São tem nada de marcante lá. Só um monte de banquinhos legais que eu gostaria de ter feito na minha aula de oficina de madeira e um tobogan prateado do qual o povo se joga do segundo ou terceiro andar e cai numa almofada no meio das pessoas no térreo. Sabe, não tinha uma obra que nos emocionasse. A mostra parece que virou só audiovisual. E isso é bem last season. Sentar em sala com três telas de projeção mostrando a mesma coisa por três ângulos diferentes chega a ser lugar comum. Tudo está esparso e rarefeito. Mas não parece definitivamente que foi feito para ser esparso e rarefeito.

E voltamos ao vazio. Se nos outros andares estivessem superlotado de obras, daria a impressão de que o segundo andar foi deixado limpo de propósito. Mas não, essa ilusão acaba rapidamente ao chegar ao terceiro andar e sentir que não havia obras suficientes pra toda aquela área.

E, finalmente, chegamos à questão da pichação. Olha, pichar, diferente de grafite, claro, pode atééé ser considerada uma forma de arte. Sei lá. Arte é subjetivo, não é? O que me incomoda é esse povo que atuou na Choque Cultural dizer que quer repensar o conceito de arte. Tipo, todo mundo tem o direito de pensar o que quiser, mas estragar o trabalho dos outros, isso está além. Ache qualquer outra forma de expressão que não seja vandalismo.

E aí que o grupo diz que vai aparecer na bienal e a curadoria diz que eles que venham… E aí aparece aquele imenso andar vazio. Não sei quanto tempo a curadoria demora pra montar a exposição, mas aí está o motivo que eu citei acima: aquele espaço vazio, pra mim, mais parece uma provocação. Sim, uma totaaaal provocação. (Todo mundo sabe que pichadores adoram paredes branquinhas)

Resultado disso tudo? Eu no Belfiore comendo um lanche quando só se ouvem gritos, correria, vidros quebrando. Sim, eles foram lá. E não foram os primeiros, antes já passara pelo andar um grupo de coladores de stickers. Quarenta pessoas na ação, alguns fugiram, outros foram pegos mas também sairam quebrando uma das vidraças. Só sobrou uma fulana bode expiatório pra contar a história. Chega a ser humilhante praquele bando de seguranças e polícia acabarem deixando escorrer pelos dedos e só reter uma menina que tinha menos de um metro e meio de altura.

Não apoio esse ato, apesar de ter ficado menos revoltada pelo fato deles terem pichado as paredes e não as obras dos outros. Mas meu… Tem que ter muito sangue de barata pra ver aquela imensidão branca e não querer ‘intervir’.

Esse 2° andar é uma provocação. E, teorias da conspiração, talvez tudo isso seja algum tipo de performace previamente combinada.

É, seguindo essa linha de raciocínio, talvez o vazio esteja sendo um sucesso.

 

Mas no fundo, no fundo, fico com as palavras do Greg: “Essa Bienal parece que foi feita só porque é ano de ter bienal.”

PS: E, assim como no dia anterior foram colados adesivos que hoje já não estavam presentes, em pouquíssimo tempo as paredes estarão novamente brancas.  Não sei se é primitivo ou evoluido pensar que eles (pichadores) queriam provocar uma reflexão e, de fato, conseguiram (afinal, aqui estou eu falando sobre eles e não sobre a arte ortodoxa) Talvez esse fosse o objetivo claro até mesmo da curadoria e eu estou caindo feito patinha na lorota. De volta à teoria da conspiração.

~ por julferbas em outubro 27, 2008.

Uma resposta to “Bienal de Arte”

  1. acredito totalmente na teoria da conspiração!
    pata

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